|

A Responsabilidade do Mestre
Ser mestre é não se considerar juiz dos defeitos e
erros dos outros mas saber compreender e perdoar.
O grau de Mestre - No simbolismo maçônico, o Grau de
Mestre representa o Outono da vida, estação em que o
Sol termina o seu curso e morre para renascer de
suas cinzas; é a época em que o homem recolhe os
frutos do seu trabalho e de seus estudos. É o
emblema que indica a compreensão das lições de Moral
que a vida ensina e a experiência que se alcança.
É somente a partir deste Grau que o membro de
qualquer Rito Maçônico é considerado como um Maçom
real (um “construtor”).
Ser Mestre – Ser mestre significa ser Mestre de si
mesmo, trabalhar com inteligência e força de vontade
em seu próprio aperfeiçoamento, tendo sempre em
mente o fato de que nada mais somos do que simples
Aprendizes no Grande Mistério, mesmo que nos
denominemos Mestres.
Ser Mestre é ser bom, humano e benevolente para com
todos, sem preferência de raças nem de crenças,
porque vê Irmãos em todos os homens.
Ser Mestre é aceitar que não nos pertencemos, mas à
coletividade, e que por isso mesmo nossa
inteligência e nossa vontade devem estar sempre a
serviço dessa coletividade.
Ser Mestre é acender luzes pelo caminho por onde
passa; luzes de amizades e sabedoria, de bondade e
justiça, de harmonia e compreensão, de solidariedade
e fraternidade.
Ser Mestre é lembrar que o tempo, a paciência e a
perseverânça podem realizar qualquer coisa. Todos os
seus esforços tendem a poder dizer a si mesmo no dia
de amanhã, que há nele alguma coisa de melhor do que
na véspera.
Ser Mestre é jamais esquecer sua obrigação dos
estudos, das pesquisas e, sobretudo, da meditação,
exercício sagrado para a sedimentação do
conhecimento, na busca incessante da palavra
perdida, o grande segredo da Maçonaria.
Ser Mestre é saber aceitar um conselho, para ser
ajudado. Ser Mestre é retribuir com ternura aos que
oodeiam.
Ser Mestre é não se comprazer em procurar os
defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência. Se
a necessidade a isso o obriga, procura sempre o bem
que pode atenuar o mal.
Ser Mestre, afinal, é ser perfeito nas mínimas
realizações.
Esta não é a enumeração de todas as qualidades que
distinguém o Mestre Maçom, mas todo aquele que se
esforce em possuí-las, está no caminho que conduz a
todas as outras.
O Poder - Pelo conhecimento, o Mestre disporá de
quatro palavras mágicas que são: o Querer que se
transformou em Saber, o Saber que o levou a Ousar
numa hora aguda, e o Silêncio contemplativo, que o
fez Calar no momento preciso. A sábia conjugação
destas quatro palavras amalgamou-se em uma quinta
denominada Poder. Por isso, um Mestre não condena
nem elogia. Ele contempla o seu Poder, pelo
conhecimento dos Cinco Pontos da Perfeição que são:
pé com pé, para indicar que o Mestre Maçom sairá de
seu trajeto, até, se necessário, para dar
assistência a um Irmão merecedor; joelho com joelho,
como lembrete de que, em suas orações ao
Todo-Poderoso, o Mestre Maçom se lembre do bem-estar
de seus Irmãos, assim como do seu próprio; peito com
peito, como garantia de que cada Mestre Maçom
manterá em seu próprio peito todos os segredos de um
Irmão quando estes lhe forem contados, exceto
assassinato e traição; mão nas costas, porque um
Mestre Maçom sempre estará pronto para estender a
mão para apoiar o Irmão e defender seu caráter e
reputação em suas costas, assim como diante de seu
rosto; e boca no ouvido, porque um Mestre Maçom
tentará prevenir e dar bons conselhos a um Irmão
pecador de maneira mais amigável possível, apontando
seus erros e dando-lhe recomendações adequadas para
que ele possa se afastar do perigo.
A distância, pela contemplação, procura compreender
e aceitar os erros alheios. Intuirá que eles
pertencem à essência da natureza humana, e como
humano que é, aproveitará erros e acertos dos
outros, para em si, como forma de ensinamentos,
adotar o que suponha ser Virtude e abolir o que
possa ser Vício. Vale a pena novamente repetir: por
esses cinco pontos, o Mestre procurará se mostrar ao
próximo e aos pósteros, como um espelho, refletindo
o que de melhor encontrar, nessa sua busca da
perfeição.
A Vida e a Morte - O objetivo do Mestre é dar-se
conta das opiniões e da conduta de todos os assuntos
graves e sérios. Saber distinguir entre as palavras
“Vida” e “Morte”.
A vida é um dos temas mais importantes oferecidos ao
estudo do Maçom. As três fases da vida de um homem –
infância, virilidade e velhice – têm sido
simbolizadas pela Maçonaria que, através da
Iniciação, conduz os seus adeptos à compreensão
metafísica da Vida. Por isso, no terceiro Grau, a
Vida foi simbolizada pelo túmulo de Hiram.
Na Maçonaria, quase todos os sistemas maçônicos
consagram à Morte uma parte da instrução de seus
Graus. A Morte, que constitui a base dos estudos do
Grau 3 do simbolismo, é representada em muitos
Simbolos Maçônicos a fim de induzir a alma do
Iniciado a meditar sobre o seu destino e a tirar
lições que contribuem para ele refrear as suas
paixões.
Os Trabalhos no Grau de Mestre têm por objetivo
mostrar, pelo estudo da vida e da morte, que a
inteligência é a única coisa que constitui o homem,
e para conservá-la em toda a sua integridade,
torna-se necessário resistirmos sempre e com todas
as nossas forças aos ataques mortais da ignorância,
da Hipocrisia e da Ambição.
O Mestre deve ser um todo harmonioso. É a meta que
deve procurar todo o Maçom. É o mérito do Iniciado
de ter atingido este desenvolvimento que o constitui
dentro da verdade como um ser intelectual e moral
apto a servir de base a este Grau superior de vida e
de participação na vida superior. Tudo isso, o
Mestre aprende. É a razão pela qual a Loja do Mestre
Maçom é conhecida como o Sanctum Sanctorum da
Maçonaria. Sendo a mais sagrada das três partes do
Templo, foi considerada o Símbolo de uma Loja de
Mestres (Câmara do Meio), na qual são realizados os
mais sagrados Ritos Iniciáticos da Maçonaria.
O terceiro Grau de Iniciação Maçônica é o
complemento necessário dos dois primeiros. Se não
existisse, a cumeeira do edifício faltaria e a
Maçonaria Especulativa não seria outra coisa senão
uma irrisória caricatura da Maçonaria Operativa.
O Mestrado conduz a novas sínteses. O Aprendiz
dedicou-se ao trabalho material, ao desbaste da
Pedra Bruta. O Companheiro ao trabalho intelectual
que implica a realização da “Pedra cúbica”. Ao
Mestre, não pode ser atribuído senão o trabalho
espiritual. A sua missão é derramar a luz e reunir o
que está esparso.
Acácia – É uma árvore com espinhos da família das
leguminosas, que floresce próximo a Jerusalém,
cresce na orla dos desertos ou em países quentes.
Muito freqüentemente usada como emblema maçônico. O
ramo que, segundo a lenda de Hiram, foi colocado na
cabeceira do túmulo do Mestre. Por ser sempre verde,
a acácia é considerada como símbolo da imortalidade.
Desde a alta antiguidade, a acácia foi considerada,
como árvore sagrada. Moisés ordenou que dela se
fabricassem o Tabernáculo, a Arca da Aliança, a Mesa
dos Pães de proposição e o restante dos adornos
sagrados. Isto explica porque os primeiros Maçons,
que foram buscar quase todo o seu simbolísmo na
Bíblia, adotassem a acácia como planta sagrada e a
transformassem em símbolo de uma importante verdade
moral e religiosa, consagrando-a nas cerimônias
maçônicas iniciáticas.
A sua madeira teve sempre reputação de
incorruptível, como a do carvalho, que é também um
emblema simbólico.
A acácia é também considerada sagrada pelos Maçons
que nela simbolizam a imortalidade da alma, a
inocência, a incorruptibilidade, além de
transformá-la em emblema da Iniciação. É por eles
empregada nas cerimônias fúnebres como símbolo da
tristeza, mas também de prudência, da qual é a
recompensa.
Euforia e tristeza - O que deverá sentir um
verdadeiro Mestre ao contemplar em Loja as lacunas
deixadas por aqueles Aprendizes e Companheiros que
um dia, cheios de entusiasmo, aqui chegaram e num
outro dia desertaram?
Procurando matizar essa seqüência de idéias com as
cores sombrias de uma realidade que nos preocupa,
falamos da euforia que sentimos nas freqüentes
sessões magnas de Iniciações a que assistimos e,
tempos depois, da triste constatação da ausência de
muitos daqueles Aprendizes desertando dos seus
assentos na Coluna da Força e de alguns Companheiros
deixando de reforçar a Coluna da Beleza. Aludimos
tamém aos Mestres que, com pouco tempo da Exaltação,
sem um pedido formal ou qualquer satisfação, nunca
mais aparecem na loja; e convém não esquecermos
daqueles Irmãos que, cingidos com o Avental de
Mestre e julgando-se “donos da Verdade”, só aparecem
na loja nos dias de festas e à vezes até aproveitam
essas oportunidades para discursarem palavras
inflamadas de críticas apaixonadas e violentas,
distribuindo “sábios conselhos”. Infelizmente, essas
cores sombrias são uma constante em tantas Lojas...
A responsabilidade do Mestre - Pensando na redobrada
responsabilidade da Exaltação, já que podemos
entender o Mestre como aquele que ensina como guia,
como exemplo e, naturalmente, como aquele que na
prática do método iniciático, estuda as suas
próprias imperfeições e trabalha, sem cessar, em
combatê-las burilando a mente, tornando-a mais
aberta e predisposta para estudar e assimilar novos
conhecimentos. Lembremos que é no trabalho profícuo
que exalta as virtudes dos seus Mestres, dentro e
fora da Loja, que se baseia o sucesso da atuação da
Maçonaria.
Se a ordem social colocou homens sob sua
dependência, o Mestre Maçom os trata com bondade e
benevolência, porque são seus iguais perante o
Criador, usa de sua autoridade para erguer-lhes o
moral e não para esmagá-los com o seu orgulho; evita
tudo o que poderia tornar sua posição subalterna
mais penosa.
Como subordinado, por sua vez, compreende os deveres
da sua posição, e tem o escrúpulo em cumpri-los
conscienciosamente.
Assim, em todas as Lojas os AApr.’. e os CComp.’.
estarão sempre olhando para os MM.’..
Nessa ordem de idéias, julgamos válida a preocupação
que sentimos visitando uma Loja, ao saber que o
Ex-Venerável ou Past Master Imediato (último
Venerável) desertou após a passagem do malhete sem
cumprir a honrosa missão de atuar como assessor e
conselheiro experimentado de seu sucessor.
Concluindo – Não se deve esquecer que o Mestrado não
é um dom. É uma conquista. É a vitória do homem
sobre si mesmo. O Mestre deve se esforçar para
enxotar o velho homem, isto é, por eliminar
paciente, mas definitivamente, todos os erros, as
antíteses, as contradições de costumes e usos de
nossa civilização, a fim de edificar sobre um
terreno novo o ser superior que o colocará em
comunicação com as regiões de igual natureza.
O Mestre não deve esquecer que, em sua ascensão para
a espiritualidade, o pensamento é uma força
soberana, mas que deve ser guiada com bom senso e
lógica. Convém ter sempre no espírito a meta a
atingir e concentrar os seus desejos, os seus
pensamentos e os seus atos para um mesmo ponto de
vista dirigido com amor para uma ordem de coisas,
mais perfeita, para as múltiplas definições do Bem,
do Belo e do Verdadeiro.
Além disso, respeita em seus semelhantes todos os
direitos dados pelas leis da Natureza, como gostaria
que os seus fossem respeitados. Promete e jura que
sempre lembrará de seu Irmão Mestre Maçom quando
estiver ajoelhado oferecendo sua devoção a Deus Todo
Poderoso.
E não posso parar na senda do progresso e da
perfeição, porque “A Ac.’. me é conhecida”.
Fonte de Consultas: Grande Dicionário Enciclopédico
de
Maçonaria e Simbologia – Nicola Aslan... |